Veja como viajar pode influenciar em suas relações pessoais

Cheguei a Munique às dez horas. Como estava indo buscar as minhas coisas que tinham ficado guardadas na casa do João Roberto e não havia nada mais a fazer na cidade, decidi levar minha mochila grande junto para aproveitar e fazer uma faxina.

Levei uma hora e meia até parar diante ao prédio.

Havia um bilhete muito engraçado pregado na porta de sua casa:

Joriam,

A chave se encontra no mesmo lugar onde havíamos combinado, no segundo vaso do seu lado esquerdo no meio da folhagem.

João Roberto

PS.: Não pense que sou louco, por aqui ninguém entende português… (eu acho!)

Acreditei, nesse momento, que meu primo, na melhor das hipóteses, havia me chamado de desmemoriado, porém, pouco me importei…

Já dentro de casa, havia um segundo bilhete, que dizia:

Joriam,

Não sei que dia você receberá este bilhete, mas não faz a menor diferença.

Sinta-se em casa. Se quiser dormir ou tomar banho, fique à vontade.

Se preferir comer, tem seu pão preto “predileto”.

Pode acabar com tudo que tiver na geladeira, não há muita coisa mesmo, porém deixei umas “loiras alemãs” para você se divertir.

Suas coisas estão exatamente no mesmo lugar onde as deixou.

Se for me esperar, ótimo, vamos bater um papo (eu gostaria).

Se você for fazer como disse que faria, somente pegar suas coisas e partir (sou contra), pois bem, minha opinião não vale nada mesmo, de qualquer forma, boa viagem.

Não se esqueça de deixar a chave no mesmo lugar onde a encontrou, tá?

Agora, se você decidir fazer outra opção além dessas, boa sorte.

Um abraço grande,

João Roberto

PS.: Obrigado por ter transformado alguns dias comuns em dias inesquecíveis.

Dei-me conta como era incrível a diferença de impressão que passei a ter do meu primo depois de nossa convivência na Alemanha. Era interessante como formávamos conceitos distorcidos sobre determinadas pessoas. Nesse momento, era claro que o João Roberto de hoje era muito mais legal em relação àquele que acreditei conhecer quando morava no Brasil.

Peguei todos os meus pertences deixados ali, juntei com tudo o que tinha na mochila e comecei a arrumar. Joguei papéis fora, guardei todos os postais juntos, separei algumas roupas e…

Tocou o telefone! Fiquei sem saber se deveria atender, afinal a casa não era minha, porém, eu era da família e, apesar de inseguro, resolvi atender:

-Alô!!!

-Joriam!!! Que bom que você está aí! – era João Roberto.

Estava com voz de surpreso, mas ao mesmo tempo feliz.

– Fala, primo, tudo bem? – respondi, sentindo-me aliviado, por não ter feito nada errado.

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